A Justiça Eleitoral julgou parcialmente procedente uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) e reconheceu a ocorrência de fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024 em Boa Esperança do Iguaçu. A decisão foi proferida pela 115ª Zona Eleitoral de Dois Vizinhos. Segundo a sentença, partidos investigados registraram candidaturas femininas apenas para cumprir formalmente a exigência legal mínima de 30%, sem que houvesse campanha efetiva. A magistrada considerou comprovado que três candidatas tiveram votação inexpressiva, movimentação financeira irrelevante e ausência de atos concretos de campanha. Nesse cenário, a Justiça determinou a cassação do registro de todos os candidatos vinculados às chapas irregulares, bem como a cassação dos diplomas e mandatos dos vereadores eleitos por esses partidos. Além disso, todos os votos atribuídos às legendas foram anulados, com determinação de recontagem total dos votos para redistribuição das cadeiras da Câmara Municipal. Com isso, sete vereadores da situação podem perder seus mandatos.
Em participação no Programa Sete e Meia da Rádio Educadora FM, o prefeito Givanildo Trumi falou com exclusividade sobre o assunto. “Houve uma denúncia e um julgamento, mas estamos muito tranquilos porque não houve pedido de afastamento e cabe recurso. Entramos com recurso na justiça eleitoral de Dois Vizinhos e, depois, ainda cabe recurso em Curitiba. Falando em nome do Progressistas, que eu era presidente, nós não tivemos fralde de gênero. Posso dizer que, pela primeira vez, numa campanha em Boa Esperança, foram feitas várias reuniões com o público feminino. Além de termos as candidatas, fizemos um trabalho diferenciado com as mulheres tanto que tivemos quatro candidatas e uma foi eleita. Uma candidata obteve seis votos, mas ela foi para a campanha, tentou buscar seus votos e, inclusive, no Sudoeste, mais de 100 candidatos tiveram um ou dois votos e quem pediu a cassação dela é um candidato a vereador que obteve três votos”, explicou o prefeito.
A sentença também aplicou a pena de inelegibilidade por oito anos às três candidatas apontadas como fictícias, por entender que elas concorreram voluntariamente para a fraude. Os demais candidatos não foram declarados inelegíveis, mas podem perder os mandatos por terem sido beneficiados pela chapa considerada irregular. “Estamos tranquilos que vamos reverter isso tudo e seguimos trabalhando por Boa Esperança do Iguaçu. Os vereadores nos apoiam, nos ajudam muito e essa denúncia não procede. A grande maioria da população sabe do que estamos falando e é natural quando se perde a eleição, se acirra os ânimos e buscar uma tentativa de cassação. Temos mais de 40 testemunhas e a realidade não é essa, o povo presenciou as reuniões, viu as candidatas fazendo campanha. A situação é atípica uma vez que afeta sete vereadores e não temos suplentes, mesmo do outro lado, porque candidatos que entraram com o pedido de cassação não obtiveram os 10% de votos necessários para poder se eleger. Estamos tranquilos e acreditamos muito na justiça”, conclui.
O vice-prefeito Antônio Bianchini também falou sobre o caso. “Nós temos uma preocupação porque a partir do momento que a justiça dá um parecer, gera insegurança para quem tem um mandato. Nossos vereadores fazem um grande trabalho e, desde o momento que ocorreu a decisão, sempre nos colocamos à disposição, ajudando, dando apoio, porque está sendo uma injustiça”, completa.
Fonte: Portal Educadora
















